Imortais homenageados em Maricá

0
4164

Os escritores e jornalistas Antônio Callado e João Saldanha, o antropólogo Darcy Ribeiro e a cantora Maysa Matarazzo juntos em Maricá. O quarteto que conheceu bem o município ocupa, desde o dia 27 de novembro, um lugar de destaque próximo à prefeitura, no recém-inaugurado Canal da Cidade, Centro. Em uma mesa de bar, eles parecem conversar alegremente e despertam a curiosidade de todos que passam pelo local. Trabalhando com transporte escolar Cristina Almeida conta que passa diariamente pela via e aprovou a ideia. “Achei muito interessante. Eles fazem parte da história da nossa cidade e a homenagem é muito justa”, avaliou.

A obra em bronze é de autoria do casal de artistas plásticos Alexandre e Rosaura Shiachticas. Ambos foram também os responsáveis pela restauração da casa do professor e antropólogo Darcy Ribeiro, no bairro de Cordeirinho – onde se destaca uma escultura de Darcy. A iniciativa da prefeitura, além de homenagear grandes personagens transformou esse novo espaço de convivência em ponto de visitação com possibilidade de os turistas interagirem de certa forma com a arte. “A orientação do prefeito Washington Quaquá, além de prestar essa homenagem, foi acrescentar duas cadeiras vazias para que as pessoas possam sentar e posar para as fotos”, acrescenta Alexandre.

O restaurador já trabalha em outras peças. Em breve, os moradores de Araçatiba ganharão a companhia do Padre Anchieta, que teria realizado em 1584 “A Pesca Milagrosa”, na Lagoa do Bairro – passagem marcante na história da cidade. “Na estátua, Anchieta está segurando uma rede de pesca com peixes ao redor” adiantou o artista.

O bairro de Itaipuaçu também receberá uma de suas esculturas. A representação do político, guerrilheiro e poeta Carlos Marighella, segundo Shiachdicas, irá para o 3º distrito. Morto por agentes do extinto Doi-Codi em 1969, Marighella foi um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar, nos Anos de Chumbo. Outra a merecer uma homenagem da cidade é a escrava Anastácia, mas o local ainda não está definido.

Cuidado com a dengue nos detalhes

As esculturas de Alexandre são moldadas por meio da técnica de “cera perdida”. O método, no qual um modelo da peça é esculpido em cera e instalado em uma forma, gera um molde – o material do modelo é aquecido até evaporar – que permite um nível de detalhes muito maior que o processo normal de fundição. A preocupação quanto ao acúmulo de água que poderia gerar criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, foi resolvida com furos em locais estratégicos.