Índios de vários estados começaram a chegar nesta quinta-feira para II Jornada Esportiva - Foto: Clarildo Menezes

Já estão na aldeia Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã (“Mata Verde Bonita”, em tupi guarani), em São José do Imbassaí, as comitivas que irão participar da II Jornada Esportiva e Cultural Indígena (JECI 2017), que será aberta nesta quinta-feira e se encerra no domingo (23/04). Índios de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo transformaram o local em uma grande mistura de povos e cultura. O guarani Jean Verapoty da Silva, da aldeia Tenondê Porã, de São Paulo, falou sobre a importância de iniciativas como essa. “Ficamos muito contentes com o convite do cacique Darcy Tupã para participar do evento”, afirmou, referindo-se ao chefe da aldeia guarani em São José. “É muito difícil reunir os povos indígenas dessa forma, os jogos da jornada são uma boa oportunidade. Com a invasão de algumas aldeias, esse tipo de atividade se tornou rara”, ressaltou Verapoty.

Para o índio Guarani-Mbya Apurinã Pataxó, de Paraty (RJ), o encontro fortalece os laços entre indígenas e não indígenas. “Eu me sinto muito orgulhoso em poder participar desta festa intercultural, que reúne os povos indígenas do nosso país. É muito importante que a gente se reúna e una cada vez mais para enriquecer nossa cultura”, afirmou. “Os jogos indígenas também ajudam a aproximar as pessoas dos nossos costumes, e assim a gente passa a receber mais apoio da população”, disse Apurinã.

Os jogos terão modalidades coletivas e individuais em provas tradicionais indígenas, como a disputa de corrida rústica, a corrida com tora, a corrida de Mbaraka (revevamento com uma espécie de chocalho que, pela primeira vez, contará com a participação dos curumins com os adultos), cabo de guerra, futebol, tiro com arco, arremesso de lança, salto em distância e natação – que será realizada no canal do Rio Bambu, próximo à aldeia.

Estreante na competição, o índio Natalício Karaí, liderança do Jaraguá (SP), falou sobre as suas expectativas. “Essa é a primeira vez que a gente participa da Jornada Indígena, e estamos muito felizes por fazer parte desse encontro cultural. Nós trouxemos arco e flecha para participar das atividades. Queremos mostrar para todos um pouco da nossa língua e da nossa história”, contou Karaí. A abertura simbólica, com a chama olímpica em totem indígena, acontece nessa quinta-feira (20/04) a partir das 19h. Esse primeiro dia de festa termina com a apresentação da cantora Jô Borges. As atividades esportivas e culturais acontecem nos dias 21, 22 e 23/04, sempre a partir das 8h. A entrada é franca. A Jornada Esportiva Cultural Indígena tem o apoio do Ministério dos Esportes, num convênio com a Prefeitura de Maricá, através da Secretaria de Esportes.

 

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