Prefeitura começa a implantar no município nova Política de Saúde Mental

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Camilla e Jaqueline juntas na implantação da nova política

A Prefeitura de Maricá começa a implantar no município uma Política de Saúde Mental de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde (MS) que sugere um novo olhar para o atendimento ao paciente psiquiátrico. Através dessas determinações, a pessoa portadora de distúrbio psíquico deve ser retirada dos manicômios e reinserida na sociedade aos poucos, voltando ao convívio familiar, com os amigos e vizinhos.  

Para que este retorno aconteça da melhor forma possível, é fundamental a criação do Centro de Atenção Psicosocial (CAPS) que, em Maricá, tem previsão de inaugurar em abril e vai funcionar onde era a antiga Secretaria de Saúde, ao lado do Posto de Saúde Central.

“O paciente confinado por muitos anos, perde suas referências, suas memórias afetivas. E isto, ao invés de ajudar, prejudica o tratamento. Houve um tempo em que se acreditava que o melhor para as pessoas que sofrem com distúrbios psíquicos era o isolamento. Mas, a partir de meados da década de 80, este pensamento mudou”, explica a coordenadora de Saúde Mental de Maricá, Jaqueline Romariz. 

Com o CAPS, forma-se um espaço territorial e comunitário alternativo ao hospital psiquiátrico. Cria-se uma porta de entrada para a re-socialização, através de oficinas ministradas por terapeutas ocupacionais e o acompanhamento continuado de uma equipe de seis psicólogos e seis psiquiatras.

“O CAPS não é um local de confinamento, mas de fazer o paciente interagir com o que está fora, além dos muros. Daí a importância das oficinas, seja de música, pescaria, esporte, jardinagem. Geralmente voltadas para a cultura local”, esclarece Camilla SiIva, coordenadora técnica do CAPS.

Neste sentido, importa também estabelecer parcerias com o ambulatório, com o hospital e outros segmentos da sociedade. 

“No ambulatório, por exemplo, vem sendo feito um trabalho de escuta desses pacientes em grupos de recepção que acontecem durante quatro encontros. Isto é muito positivo, porque sai daquele esquema de apenas receitar medicamentos para também ouvir o sofrimento e encaminhá-lo da melhor forma”, comenta Romariz.