Assistência Social de Maricá promove capacitação do quadro técnico

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Achiles, Maria Dolores e Michelle

Dando continuidade à formação de seus assistentes sociais e psicólogos, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Participação Popular realizou ontem (27/06), às 15h, no CIEP Profª Maria do Amparo Rangel de Souza, mais um ciclo de palestras e debates. O tema abordado foi “Psicologia e Serviço Social no SUAS: um olhar sobre suas práticas” e os palestrantes foram o psicólogo da secretaria municipal de Assistência Social do Rio, Achiles Miranda Dias e a Assistente Social Michelle Moraes, Conselheira do CMAS/RJ, tendo como mediadora a psicóloga Maria Dolores Golbi. O evento contou também com a presença da secretária municipal de Assistência Social Laura Maria Vieira da Costa, de coordenadores e dezenas de assistentes sociais, psicólogos e auxiliares.

Achiles Miranda fez um registro histórico da Psicologia como ciência nova, divulgada no Brasil como profissão em meados do século XX, vinculada à Clínica Geral e à Psiquiatria. As práticas que se instalaram até 1950 para atender à população, tinham caráter tutelar, “higienista”, excludente e manicomial. Ainda segundo o psicólogo, nos anos 60 e 70 seu atendimento  esteve mais voltado para as elites, devido ao alto custo das horas no “divã” psicanalítico. No máximo, 15% da população tinha acesso a esse sistema. Em 1979, começaram a surgir “vozes contrárias” a essas práticas, partindo das universidades, com um modelo de trabalho que incluía alunos dos cursos de extensão. Estes então começaram a lidar com as comunidades carentes, criando um perfil de atendimento que abriu o leque da Psicologia para um universo mais amplo.

Ainda de acordo com a apresentação, nos anos 80 o governo de transição para o regime democrático estabeleceu condições de reorganização da sociedade civil, com órgãos de serviço social como a Legião Brasileira de Assistência (LBA), a Funabem e os abrigos para menores. Surgiu também um movimento nacional de reforma social (“fase do bem-estar social”), com ênfase em conceitos de seguridade social e saúde mental que acabariam derivando na aprovação de marcos legais como o Estatuto da Criança e o Estatuto do Idoso e na formação do Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental. Ao mesmo tempo, ampliou-se a luta antimanicomial, desenvolvida até hoje, respaldada pelos conselhos Regional de Psicologia (CRP) e Nacional de Psicologia (CNP), além da abordagem a novas categorias, como dependência química e população de rua, e da criação dos Centros de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS). 

 

Assistência Social

Michelle Moraes abordou o universo da Assistência Social desde sua implementação, há 70 anos, como profissão no Brasil e no mundo, com seus aspectos legais, do trabalho, do desemprego, da educação e da saúde. Michele apresentou planos de desenvolvimento da profissão no Brasil, a intervenção estatal na questão social e a relação entre serviço social e assistência social, além de mostrar as políticas públicas no setor. “Ainda existe a ideia de que a pobreza é algo natural. Na Revolução Industrial do século XVIII pensava-se o mesmo. Uma publicação recente informa que o mundo produz três vezes mais alimentos e mercadorias que o consumo mundial. Então, a pobreza não é natural, mas produzida para gerar divisão de classes a partir de uma distribuição desigual de recursos. O trabalho do assistente social é minimizar as perdas, ajudando a promover o resgate da cidadania através de programas sociais de geração de emprego e renda”, garantiu Michelle.

Segundo ela, o Estado inicialmente representou apenas o interesse das elites, intervindo como mediador de conflitos no processo de lutas da classe. “A naturalização da pobreza levou a visões de benemerência e a uma confusão entre assistência e assistencialismo. A profissão hoje está bem delineada, com seus direitos conquistados por lutas trabalhistas e legislação”, completou.