Programa de Saúde Mental de Maricá completa dois anos

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O Programa de Saúde Mental de Maricá completou dois anos de atividades após passar por uma completa reformulação, com um balanço altamente positivo. Atualmente, o programa atende 3.400 pessoas e, segundo o coordenador de Saúde Mental do município, Allan Christie, gerou um avanço extraordinário nesse campo. “Conquistamos vários espaços antes inexistentes ou mal assistidos no tratamento de portadores de distúrbios mentais”, avalia Allan, citando como exemplo o ambulatório, que separava psicologia e psiquiatria em locais diferentes e ganhou mais salas, permitindo uma atuação em conjunto.

Outro item relevante é a atuação dos núcleos – Itaipuaçu I (PSF Barroco), Itaipuaçu II (PSF Jardim Atlântico), São José (PS São José), Inoã (PSF Inoã I), Ponta Negra (PS Ponta Negra), e Mumbuca (PS Mumbuca). Todos (sede e núcleos),  atendem de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com equipes de psicólogos (adulto e infantil).  Existem ainda a Enfermaria Psiquiátrica e a Internação para Estabilização (duração de até 72h).

Com o programa, foi criada uma nova rede de serviços como o Centro de Atenção Psicosocial (CAPS), o Ambulatório de Saúde Mental (no Hospital Conde Modesto Leal), o Projeto de Desinstitucionalização, a Enfermaria de Estabilização em Saúde Mental, o serviço de Perícia, a Regulação das Internações em Saúde Mental, Saúde Mental nas Escolas e Residências Terapêuticas, entre outros.

Segundo o coordenador, o programa está sendo renovado com oficinas terapêuticas para mulheres e crianças, além da criação de um setor de psiquiatria infantil. Outro avanço é o projeto “Saúde Mental nas Escolas”, do qual Maricá é pioneiro no Estado do Rio. “O vice-prefeito eleito, Marcos Ribeiro, nos procurou quando era secretário municipal de Educação para que formulássemos este projeto em parceria. O trabalho exige cerca de três meses em cada escola, com avaliação da demanda, dos tipos de distúrbio mental (cognitivos ou de comportamento), e seu tratamento”, descreve Christie. “Começamos pela E.M. Walter Guedes, onde tivemos um público de 31 alunos, que recebem, com a família, acompanhamento especializado. A Educação Inclusiva recebe suporte também deste projeto”, adianta.

Recursos federais

Para tocar os projetos, existem repasses de recursos do Ministério da Saúde e outros órgãos federais para implantação. O CAPS Leila Maria Barbosa, por exemplo, recebeu R$ 35 mil, e mais  R$ 35 mil/ano, pelo seu credenciamento e funcionamento. O projeto de Desinstitucionalização (parte da Reforma Psiquiátrica do país, prevê o acompanhamento do interno em instituições de saúde mental, sua saída e retorno ao convívio familiar) recebe R$ 50,4 mil. Já a Enfermaria de Estabilização em Saúde Mental, está sendo ampliada para quatro leitos que darão suporte clínico de urgência/emergência especializada para os pacientes em crise ou surto psíquico, além de dependentes químicos (a Secretaria de Assistência Social tem parceria neste caso). O projeto conta com incentivo inicial de R$ 16 mil para o primeiro ano (2013), e R$ 68 mil/ano/leito, somando quase R$ 280 mil, para a enfermaria como um todo.

“Estamos conquistando espaços necessários de acompanhamento para essa parcela da população”, analisa Allan Christie. “As pessoas com distúrbio mental, embora sensíveis e amorosas, têm grande dificuldade de conseguir ajuda e o preconceito começa na própria família, continuando na sociedade”, afirma, considerando que felizmente o quadro negativo vem mudando. “Estamos nos equipando e preparando para atender com maior qualidade esses pacientes, com serviços e atividades, como as oficinas, gerando autoestima e reinserção social para essas pessoas”, conclui o coordenador.