Fórum de Atenção Básica de Saúde discute melhorias para o setor

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O escultor e suas obras. "Quero trazer peças dos meus alunos, eles são meu orgulho".

Profissionais das 24 unidades de Saúde de Maricá (unidades básicas e postos de saúde da família), num total de 130 funcionários, participaram nesta terça-feira (04.12) do 1º Fórum “Território e Atenção Básica – Local de Cuidado". Realizado pela subsecretaria de Atenção Básica em Saúde, no Rotary Club, o encontro serviu para discutir propostas de melhoria no atendimento dos postos.
Com o objetivo de propor a reflexão de questões atuais do universo da saúde pública, com enfoque voltado para as demandas de Maricá, a subsecretária municipal de Atenção Básica e Saúde Coletiva, Larissa Morgado, destacou os objetivos do fórum. “Temos que repensar o modelo de saúde pública atualmente adotado no país. Refletirmos como o setor de Atenção Básica pode realmente impactar a saúde da população”, explicou a subsecretária. O evento contou com a apresentação de dois palestrantes especialistas no tema: o coordenador da Superintendência de Atenção Básica da Secretaria Estadual de Saúde, Renato Glória de Castro, e a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz e membro da coordenação de cooperação internacional da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Grácia Maria Gondim.

Palestras
Iniciando o encontro, o coordenador de Superintendência de Atenção Básica da Secretaria Estadual de Saúde falou do desafio da legitimidade da Atenção Básica no país. “Nacionalmente, estamos num momento de revisão dos paradigmas e do funcionamento da Atenção Básica. Temos que repensar formas de modificar esse cenário. Hoje, 60% dos atendimentos de unidades de pronto-atendimento (UPA) seriam da Atenção Básica. O que revela que devemos refletir e discutir sobre novos modelos de atendimentos. O SUS (Sistema Único de Saúde) está em processo constante de construção”, destacou Renato, considerando o fórum, um excelente momento para os profissionais discutirem quais caminhos podem ser adotados.
Para o coordenador, um dos grandes desafios da Atenção Básica é a carência de médicos e a falta de estrutura das unidades que permitam atendimentos mais eficazes. “A população chega às unidades e quer ser atendida pelo médico, que trabalha nos postos com horários de marcação pré-agendados e que, muitas vezes, não pode prestar o chamado pronto-atendimento", afirma Renato, que exemplifica: "uma criança que machucou o joelho e necessita dar dois pontos precisa, nos dias de hoje, ser encaminhado para uma unidade de pronto-socorro. Mas nós consideramos que um posto de saúde poderia fazer esse atendimento, desde que tivesse condições para esse procedimento básico. Sigo a seguinte premissa: Não se faz saúde somente com médicos, mas não se faz saúde sem eles”, explicou o coordenador.
Na segunda palestra, a pesquisadora em Saúde Pública Fiocruz, Grácia Gondim, abordou a importância dos profissionais conhecerem a realidade das comunidades onde trabalham. “Precisamos aprofundar o olhar sobre os territórios para analisar a melhor estratégia de atuação, levando em considerando a complexidade e a diversidade dos públicos. Temos que permitir a inclusão e o diálogo de todas as pessoas envolvidas, de usuários, profissionais e gestores”, explicou a pesquisadora.
Para Grácia, o exercício mais difícil é escutar a população sobre suas necessidades. “Precisamos saber o que as pessoas acham do SUS. Acho que o sistema existe para ser adaptado de acordo com as necessidades de cada território. Se uma determinada unidade considera importante colocar um médico especialista para oferecer melhor qualidade de vida para aquela comunidade isso tem que ser discutido”, avaliou a pesquisadora.

Oficinas
Na parte da tarde, os profissionais, divididos em grupos de discussão (Acesso, Mapeamento e Rede) debateram os problemas e propuseram sugestões que permitam melhorias no atendimento da Atenção Básica no município. Uma das participantes do fórum, a agente comunitária de Saúde (ACS) da Unidade de Saúde do bairro Jardim Atlântico, Martina Soares, considerou muito importante a realização do evento. “Mais do que uma capacitação, esse encontrou serviu de experiência para vida. Considerei muito válida a oportunidade de podemos nos expressarmos e sabermos que nossas dificuldades não são somente nossas. O mais importante é a união dos profissionais envolvidos na área da Saúde voltados para um bem maior que é a manutenção da qualidade de vida dos usuários”, finalizou a agente comunitária.