Morre o professor José Carlos, o “cavaleiro da alegre figura”

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1983
As filhas, a nora e amigos do professor

Faleceu na madrugada dessa terça-feira (25/12), vítima de câncer, o professor José Carlos de Almeida e Silva. Referência e protagonista da história da Educação do município, José Carlos – que era também encenador, poeta, dramaturgo e ator – foi professor de várias gerações de maricaenses e secretário de Educação, tendo sido também diretor de escolas da rede estadual. O velório, realizado na Casa de Cultura, contou com a presença de colegas do magistério, de ex-alunos, amigos, do vice-prefeito eleito e coordenador geral do governo, Marcos Ribeiro, da secretária de Educação, Marta Quinan, e de ex-secretários da pasta. Reverenciado pela qualidade do seu trabalho, “Zé Carlos” permanecerá na memória dos amigos como o “cavaleiro da alegre figura”, pois, ao contrário de Dom Quixote, o personagem do romance de Cervantes, jamais perdia o bom humor.

“Obrigado pelos filhos que me deste, pela família honrada, filhos e netos. Obrigado aos amigos presentes e àqueles que não puderam vir”, disse, emocionada, a historiadora Maria Penha de Andrade Silva, esposa de José Carlos, enaltecendo as qualidades do marido, entre as quais “o astral sempre maravilhoso”. Sobre o papel dele no ensino público, sintetizou: “Foi um divisor de águas na Educação em Maricá.” José Carlos deixa três filhos – Frederico, Patrícia e Fernanda – e quatro netos.

Ao prestar sua homenagem na cerimônia religiosa de encomenda do vumbi (o corpo depois que o espírito desencarna), o babalorixá Jonas de Jagun, o Liminha, enfatizou o empenho do amigo “na defesa das culturas afro-brasileiras”, destacando igualmente o modo sempre bem-humorado como Zé Carlos sempre levou a vida. “O tempo é curto, meu amigo, para nós nesse momento, quando você parte para outra jornada. Faltou-lhe a homenagem em vida. Agora, você, sempre brincalhão, vai dizer que não pode mais abraçar a gente”, completou Liminha.

 Generosidade marcante

“Felizes são aqueles que vierem depois de nós, pois irão colher o que plantamos.” O professor José Carlos de Almeida e Silva fazia questão de repetir essa frase. Sua generosidade, tanto na vida familiar quanto no convívio com os amigos, era impressionante. Adotou Maricá em 1962, quando, ainda estudante da Universidade Federal Fluminense (UFF),  veio estagiar na cidade. No mesmo ano começou o namoro com a historiadora Maria Penha de Andrade e Silva, com quem se casaria em 1969.

Para Mariane Mary Fonseca, subsecretária de Gabinete da Secretaria de Educação, a morte do professor é uma perda muito grande para a Educação. “Ele era respeitado pelo muito que contribuiu nesse sentido”, afirmou.  Já o subsecretário de Difusão Cultural, Zola Xavier, disse acreditar que o trabalho de José Carlos permanecerá. “ Quando morre um professor perdemos as suas palavras mas ficam os seus ensinamentos”, avaliou.  

Além de educador, José Carlos foi homem de teatro, fundando, na Escola Estadual Dr. João Gomes de Matos Sobrinho, o grupo “DJOTA com amigos!!”  Em mais de três décadas de palco conquistou com o grupo mais de 30 prêmios, sempre divulgando o nome de Maricá. Através do teatro, agregou dezenas de filhos à sua família. Um deles, o professor e ator Perseu Silva, definiu: “José Carlos foi uma das pessoas mais generosas que conheci. Sempre bem-humorado, não media esforços para ajudar o próximo. Incentivador do teatro, nos deixa órfãos da sua sabedoria. Serei sempre grato por tudo que este amigo fez por mim”.