Cineclube Henfil: filme desta quarta aborda vida e obra do fotógrafo francês Pierre Verger

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Documentário “Mensageiro entre dois mundos”, narrado por Gilberto Gil, mostra relações culturais entre Brasil e África

A Casa de Cultura de Maricá abre as portas nesta quarta-feira (13/11) para a apresentação de mais um filme sobre a cultura africana. A partir das 19h, o Cineclube Henfil, projeto da secretaria municipal de Cultura, exibe o documentário “Mensageiro entre dois mundos” (1999 – Brasil), um recorte da vida e da obra do fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger, que radicou-se na Bahia em 1946, onde estudou as relações e influencias culturais entre o Brasil e o Golfo do Benin, que fica próximo à Nigéria e foi um dos principais locais de comércio de escravos africanos entre os séculos XVI e XIX para a Bahia. O evento é gratuito e haverá distribuição de senhas 30 minutos antes da sessão.

O documentário é resultado de extensa pesquisa do diretor Lula Buarque de Holanda e do roteirista Marcos Bernstein. A equipe esteve na África, na França e na Bahia em busca de detalhes sobre a trajetória do fotógrafo Pierre Verger. A ponte criada por Verger entre a cultura negra na Bahia e na África, na década de 1940, é restabelecida no filme na voz e nos passos de Gilberto Gil, que além de narrar o filme, refaz o papel de "mensageiro", percorrendo os mesmos caminhos do fotógrafo.

Com 82 minutos de duração, a obra traz a última entrevista de Pierre Verger (filmada um dia antes de seu falecimento, em 11 de fevereiro de 1996), além de extenso material fotográfico, textos produzidos por Verger e depoimentos de amigos como o documentarista Jean Rouche, Jorge Amado, Zélia Gattai e o historiador Cid Teixeira. No documentário ainda está incluída a história sobre os “Agouda”, africanos habitantes do Benin e da Nigéria, que ainda hoje cultivam influências brasileiras trazidas por ex-escravos que retornaram do Brasil para a África.

O francês Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) viveu numa família de classe média em Paris até os 30 anos de idade, quando aprendeu a fotografar e resolveu viajar pelo mundo após a morte da sua mãe, sua última parente viva. Foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, de dezembro de 1932 a agosto de 1946, sobrevivendo somente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Numa dessas viagens, se interessou pela cultura religiosa candomblé no Golfo do Benin. Por conta do seu interesse pela religião, ganhou uma bolsa para estudar rituais na África, em 1948.

A intimidade com o candomblé, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e acabou se tornando babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubas, e recebeu o nome de "Fatumbi", que significa "Renascido”. Criou a Fundação Pierre Verger, em 1988, em Salvador, espaço que concentra todo o acervo pessoal de suas viagens. São dezenas de artigos, livros, 62 mil negativos fotográficos, gravações sonoras, filmes em película e vídeo, além de uma coleção preciosa de documentos, fichas, correspondências, manuscritos e objetos. Ele dirigiu a fundação até a sua morte, em 1996.

Dia da Consciência Negra

A secretaria municipal de Cultura preparou para este mês uma programação especial com obras que abordam a cultura africana e episódios de resistência negra. O filme de estreia foi “Quilombagem” (06) e na próxima quarta-feira (20/11), data em que se comemora o Dia da Consciência Negra, a obra será o documentário “Rainha Quelé”. Ainda será exibido este mês o filme “Negação do Brasil” (27). A Casa de Cultura fica na Praça Dr. Orlando de Barros Pimentel, no Centro.