Fórum de Dependência Química realiza mais uma edição

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A Subsecretaria de Prevenção e Combate à Dependência Química realizou ontem (17/02), na Primeira Igreja Batista (PIB) de Maricá, mais uma edição do Fórum Permanente de Dependência Química. O evento, que iniciou às 14h, contou com a participação de diversas secretarias municipais, instituições e assistidos. A pauta principal foi a petição, para a Secretaria Municipal de Saúde, da implantação de quatro leitos exclusivos para dependentes químicos no Hospital Conde Modesto Leal.

Formaram a mesa os secretários de Assistência Social, Laura Maria Vieira; a secretária de Saúde, Fernanda Sptiz; a subsecretária da Infância e Adolescência, Sylvia Cantuária; o coordenador de Comunicação, Jorge Castor; a coordenadora do SAREM, Sheila Azevedo; o subsecretário de Assuntos Religiosos, Maurício Avillez; o pastor Wladimir de Castro; entre outros. O evento foi coordenado pelo subsecretário de Prevenção e Combate à Dependência Química, Alan Christi, que apresentou organograma e fluxograma do setor.

A ocasião foi marcada pelo testemunho de usuários e pessoas que conseguiram superar a dependência. Diretores de instituições e abrigos também deram seu parecer. Sheila Azevedo, do SAREM, relatou a atuação do setor, informando que algumas síndromes, como a alcoólica e a drogadição fetal, atingem crianças e seu desenvolvimento mental, emocional e escolar, dificultando a aprendizagem.​

Segundo o subsecretário Alan Christi, o número de usuários de drogas cresce em todo o país. “Em Maricá, não é diferente. Temos estatísticas que mostram que o município vem sofrendo aumento do número de dependentes químicos, em razão de fatores como expansão das UPPs, explosão demográfica e invasão do tráfico​. O progresso tem seu preço”, afirmou.

A secretária Laura Vieira confirmou o aumento do número de usuários de crack e casos de estupro, em razão da droga. “Negar os fatos é querer tapar o sol com a peneira. Antigamente, não tínhamos setores como este, que fazem prevenção e combate à dependência química, dando acompanhamento terapêutico e social a drogados e suas famílias, conseguindo atender, com profissionalismo, dedicação e perseverança, a toda uma demanda, espontânea e reprimida”, declarou Laura Vieira.

“Temos vários setores de atendimento, como o Serviço de Atenção e Prevenção em Álcool e Drogas (SAPAD), por exemplo, especializado no atendimento de usuários que estão na ativa. As pessoas chegam aqui, sozinhas ou acompanhadas, e são recebidas por uma equipe multidisciplinar, orientadas para tratamento terapêutico, ou clínico (rede com CAPS, Hospital Municipal, Programa de Saúde Mental), inclusive com indicação para abrigos, se for o caso. A família também é tratada, pois é parte importante para a recuperação do indivíduo. Temos atividades lúdicas e esportivas como artesanato e capoeira, e grupos de convivência. O número de dependentes químicos hoje é de 439 pacientes cadastrados, sendo 160 ativos, 60 regulares e 35 famílias atendidas, com uma média de 50 atendimentos/semana, e 25 novos casos por mês”, adiantou o subsecretário Alan Christi. 

O membro do Alcóolicos Anônimos (A.A.), Bernard, lembrou que a reivindicação dos leitos para dependentes químicos foi discutida há cinco anos, embora a petição tenha sido encaminhada apenas no ano passado. A secretária municipal de Saúde, Fernanda Spitz, declarou que estava ciente da petição do Fórum quanto aos leitos, mas que a nova gestão chegou à conclusão de que o Hospital Conde Modesto, no momento, não dispõe de estrutura para implementação dos leitos exclusivos. “Existe a necessidade e estamos ciente dela. No momento devido, faremos esta implantação. Enquanto isto, capacitaremos os profissionais da rede, médicos, enfermeiros, técnicos, para atender pessoas com este tipo de problema, dando o tratamento e encaminhamento devido para cada caso”, adiantou.

Quanto ao possível mau atendimento a dependentes químicos ou pessoas com transtorno mental, a secretária informou ainda que: “se recebermos denúncia de maus-tratos de qualquer servidor da Saúde em relação a dependentes químicos ou pessoas com transtorno mental, em nossa rede, será penalizado o servidor cuja denúncia for confirmada”, completou.

Uma informação que animou toda a equipe foi a declaração de que o Consultório Itinerante – que terá como foco principal o atendimento aos moradores de rua – deverá estar apto a funcionar logo após o Carnaval. “O projeto vem sendo discutido há algum tempo pela secretária Laura, mas somente agora, com aprovação do financiamento do projeto, poderemos montar a equipe necessária de Saúde, Educação, Assistência Social, Direitos Humanos e Segurança Pública necessária à sua implantação”, concluiu Fernanda Spitz.

Foi informado que o projeto de lei do Conselho Municipal de Prevenção e Combate à Dependência Química/Álcool e Drogas (COMAD) está sendo analisado para votação neste período legislativo, na Câmara de Vereadores de Maricá. O próximo fórum está marcado para o próximo mês, em local ainda a ser agendado.