Sala Cult faz show em homenagem a Chico Buarque

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Ronaldo Valentim na voz e violão - Foto: Divulgação

Ronaldo Valentim e a banda Amigos da Cultura cantam as músicas do compositor censuradas no regime militar, a partir das 19h, na Praça Dr. Orlando de Barros Pimentel

O projeto Sala Cult de Maricá relembra nesta sexta-feira (11/04) as músicas censuradas de Chico Buarque de Holanda durante a ditadura militar (1964-1985). O cantor Ronaldo Valentim, acompanhado da banda Amigos da Cultura, apresenta o show "Chico Político" com canções que retratavam as dificuldades vividas no país naquela época, como "Apesar de Você", "Cálice", "O Que Será?", "Quando o Carnaval Chegar" e "Construção". O evento da Secretaria Municipal de Cultura é gratuito e acontece às 19h, na Praça Dr. Orlando de Barros Pimentel, no Centro.

Sempre crítico, Chico Buarque teve diversas músicas censuradas. Em 1970, a canção "Apesar de Você" foi proibida após o lançamento e somente liberada pelo regime oito anos depois. A letra mostra o período repressivo nos versos – "Hoje você é quem manda / Falou, tá falado / Não tem discussão" – e também a esperança no futuro – "Apesar de você / Amanhã há de ser / Outro dia". Essa esperança de um amanhã melhor também é tema de "Quando o Carnaval Chegar" que fica evidente nos trechos iniciais da música: "Quem me vê sempre parado / Distante garante que eu não sei sambar… / Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar… / Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar".

Em "Cálice", o verso "Pai, afasta de mim esse cálice", repetido insistentemente, mostra como era difícil lidar com a censura. Outra canção crítica é "Construção" voltada para os problemas econômicos que o país vivia no período. Irônico, Chico Buarque fez a música "Deus lhe pague", onde agradecia o governo por deixar as pessoas realizarem ações básicas como comer, respirar e existir. "Roda Viva", que pedia voz ativa ao povo – "A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar /  Mas eis que chega a roda-viva / E carrega o destino pra lá" –, também é uma das composições mais lembradas desta época.

Durante 21 anos, a ditatura restringiu o direito do voto, a participação popular e reprimiu com violência todos os movimentos de oposição. O regime teve fim somente em 1985, quando o governo pressionado pelo movimento "Diretas Já", que mobilizou a população em defesa do voto direto, escolheu indiretamente o deputado Tancredo Neves para presidência, por meio do Colégio Eleitoral formado por deputados federais e senadores. A partir daí, os sucessores à Presidência da República foram eleitos por votos diretos.