Diretor de filme prestigia projeto cultural de Maricá

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Diretor do filme, Cesar Garcia Lima, esteve presente na sessão de quarta-feira (09/04)

Na Casa de Cultura, no Centro de Maricá, na quarta-feira (09/04), foi exibido o filme "Soldados de Borracha", do diretor Cesar Garcia Lima, que esteve presente na sessão. Além dele, participaram da ocasião o secretário municipal de Cultura, Sérgio Mesquita, e o subsecretário Xavier Zola. A apresentação do documentário integra o projeto Cineclube Henfil, que no mês de abril aborda o tema “O Brasil não conhece o Brasil”.

O curta-metragem, com 26 minutos de duração, retrata a saga dos 14.500 nordestinos enviados aos seringais amazônicos, durante a Segunda Guerra Mundial, para ajudar no fornecimento de borracha para os Estados Unidos. Através de quatro personagens reais, que viveram a Batalha da Borracha, assim conhecida, o diretor Cesar Garcia Lima apresenta depoimento de familiares e amigos dos seringueiros, fotos de arquivo e cenas gravadas no Rio Branco, Plácido de Castro e Xapui, no Acre, onde vivem muitos aposentados da categoria.

“Em 2000, iniciei o projeto do filme. Usei imagens antigas do Arquivo Nacional, do Arquivo do Estado do Acre, além de fotos de família e filmagem. Depois de nove anos, com apoio do Etnodoc (Museu do Folclore), Petrobras e outros patrocínios consegui realizar o filme, que ganhou o prêmio de Melhor Documentário Estrangeiro no Festival de Austin, no Texas (EUA), em 2010", orgulha-se o diretor, que assina também o roteiro do filme.

Presença importante para a cidade

Durante a exibição do filme Soldados de Borracha, o diretor Cesar Garcia Lima se mostrou bastante impressionado com o trabalho desenvolvido no município em prol do cinema. Recepcionado pelo secretário municipal de Cultura Sérgio Mesquita, conheceu de perto as obras do Centro Cultural Henfil, no Centro, acompanhado do subsecretário Zola Xavier e do professor de teatro Álvaro Ferreira.

Para Cesar, a busca do diálogo com culturas de outras localidades e com sujeitos sem vozes na mídia tradicional é o mais importante. “Seringueiros sem acesso a nada, sem acesso à mídia e, acima de tudo, sem acesso à educação, a maioria nordestinos, que migraram para o Acre em busca de possibilidades”, comentou o diretor. Emocionado, aponta o trecho final da película como o mais comovente, por dar voz a quatro soldados da borracha verbalizando o que faltava na vida deles. 

O secretário municipal de cultura, Sérgio Mesquita, comemorou a vinda do diretor a Maricá. “É uma satisfação ter o César em Maricá no dia da exibição de Soldados da Borracha, um filme que mostra a transferência de muitos cearenses para o Acre, na Segunda Guerra Mundial, num trabalho que visava abastecer os Estados Unidos de borracha. E que, uma vez acabado esse ‘ciclo’, deixou os seringueiros sem eira nem beira. Um tema importante de ser conhecido pelos estudantes e pelos maricaenses em geral”, frisou Mesquita.

O subsecretário Zola Xavier, por sua vez, ressaltou o documentário como o pagamento de uma dívida histórica com esses seringueiros, heróis anônimos que, segundo ele, não poderiam ficar esquecidos.   

Público presente

A funcionária pública Nara Lima, de 33 anos, levou o filho João Gabriel Lima da Costa, de 9 anos, para assistir o filme. Mãe e filho gostaram do documentário escolhido. "Passamos a frequentar as sessões do Cineclube recentemente, quando meu filho veio pesquisar sobre a Revolução de 1964, aqui na Casa de Cultura. Passamos então a assistir os filmes sobre a época. Gostamos muito, por isso voltamos", disse Nara. Já Gabriel afirmou que vai contar a história aos professores e colegas da escola onde estuda.

Luís Gustavo de Souza, estudante de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador das oficinas de cinema da Casa de Cultura, apreciou a concisão do filme. "Cesar Garcia conseguiu recontar um tema importante de nossa história, em resenha documental e informal, ao mesmo tempo, intercalando fatos, depoimentos e narrativas. Precisamos de outros filmes brasileiros nesta categoria, pois a História do Brasil tem de ser recontada em seus muitos aspectos", comentou. Gustavo já ganhou prêmio no Festival Internacional de Florianópolis (SC) pela direção de um audiovisual e, atualmente, prepara com seus alunos um documentário sobre o folclore de Maricá.