“Mais Educação” transforma a rotina escolar e a vida dos alunos de Maricá

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“Mais Educação” transforma a rotina escolar e a vida dos alunos de Maricá

Mais de seis mil alunos são beneficiados pelo programa em 38 escolas municipais do Ensino Fundamental

O programa “Mais Educação”, do Governo Federal, está modificando a realidade e o cotidiano dos alunos municipais de Maricá.  Implantado no munícipio desde 2010, hoje são atendidos 6.443 alunos em 38 escolas municipais do Ensino Fundamental (1º ao 9º ano), com atividades diversificadas de lazer, artes, esporte, reforço e cultura no contraturno ao horário escolar. Constituído como estratégia do Ministério da Educação (MEC) para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular na perspectiva da Educação Integral, o programa foi além e  é considerado como um dos grandes responsáveis pela melhora do comportamento, rendimento e frequência escolar.

A coordenadora do “Mais Educação” em Maricá, Angélica Cássia Amaral Neto, fala sobre o programa que é direcionado, prioritariamente, para escolas com baixo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), para alunos que estejam em risco social e que sejam atendidos pelo Bolsa Família. “Começamos, em 2010, atendendo seis escolas, e, progressivamente, aumentamos o número de unidades beneficiadas. Os alunos querem participar das atividades oferecidas, eles se sentem mais motivados e felizes. Além do que melhora, inclusive, a autoestima de crianças que, muitas vezes, ficavam em casa ou na rua sem ter o que fazer”.

Segundo Angélica, a cada ano, a Secretaria de Educação cadastra, na plataforma do Programa Dinheiro Direto na Escola Interativo (PDDE Interativo), as unidades e o número de alunos que serão atendidos. Após aprovação do MEC, o governo federal repassa a verba a ser gerida por cada escola, de forma diferenciada, por meio da associação de pais e alunos. “As atividades são escolhidas de acordo com a necessidade e o perfil de cada unidade. E, a isso atribuo o sucesso do programa que conta com a participação direta dos pais”, destacou.

Em 2014, até o momento, o MEC repassou a quantia de R$ 1.052.727,58 para a realização de 21 oficinas (agroecologia/canteiros; jornal  escolar; arte gráfica e mídia;  canto coral; esporte e lazer; campos do conhecimento; iniciação científica; banda; orientação de estudos  e leitura; capoeira; matemática; judô; pintura; karatê; tecnologias educacionais; desenho; teatro; percussão; artesanato; música e ginástica rítmica) que conta com o apoio de 154 monitores.

Para Manoela da Costa, diretora da Escola Municipal Maurício Antunes de Carvalho, uma das 38 escolas atendidas, o programa permite melhorar a aprendizagem, disciplina e comportamento do aluno. “A mudança é notória. Os alunos eram desmotivados e não tinham interesse por nada relacionado à escola. Hoje, o cenário é outro. As notas melhoraram, os alunos estão mais participativos e disciplinados em sala de aula e, inclusive, percebemos, uma efetiva mudança na relação entre os pais e os alunos”, declarou a diretora da unidade, que possui matriculados 307 alunos da Educação Infantil até o 5º ano, sendo desses 150 beneficiados pelo “Mais Educação”, com aulas de Karatê, dança, futsal, rádio escola, letramento e orientação para estudo (reforço escolar).

História por trás do “Mais Educação”

O aluno Lucas Gabriel Salsa, de 12 anos, é um exemplo de sucesso do programa. Criado somente pela mãe, que trabalha num supermercado da cidade durante o dia e que ainda estuda à noite, Lucas ficava maior parte de seu tempo sozinho na rua, sem qualquer tipo de atividade ou acompanhamento. Há menos de um ano, o aluno passou a frequentar as aulas de futsal e de orientação para estudo do “Mais Educação” e está adorando. “É muito melhor ficar aqui na escola do que ficar na rua sem ter o que fazer. Pratico esportes, brinco e ainda aprendo mais”, declarou. Para a diretora, o caso do Lucas é um caso típico de resgate humano por meio da educação. “É triste imaginar o futuro que ele poderia ter se continuasse na rua. O próprio relacionamento entre ele e a mãe era estremecido. Hoje, ele está mais confiante de si, mais disciplinado e amigo de sua mãe, que passou a participar das atividades da escola”, explicou a diretora.

A história do aluno João Victor Barbosa, de 10 anos, é outro motivo de orgulho. Ele sofria por distúrbios de comportamento e, em seu histórico escolar, há mais de dez surtos agressivos contra alunos e, até mesmo, contra a equipe pedagógica. Com o início das atividades do programa nas aulas de karatê, futsal, queimado e orientação para estudo, João Victor melhorou seu temperamento e evoluiu no aprendizado. “Não queria vir para a escola porque aqui nada me agradava. Eu ficava revoltado por ter que fazer os exercícios que os professores mandavam e acabava não fazendo. Agora, quero participar das aulas e brincar com meus amigos”, declarou do aluno que obteve uma grande evolução nas notas.

Matheus da Costa Oliveira, de 11 anos, há mais de um ano participa do programa em aulas de karatê, futsal, dança e letramento. “Antes, ficava em casa sem fazer nada, sem ninguém pra brincar. Agora, participo de tudo que posso porque adoro ficar na escola com meus amigos”, destacou. Segundo ele, seu pai e seu professor elogiaram seu comportamento. “Nem tinha percebido, mas eles me disseram que estou menos bagunceiro”.

Monique Soares Mota, de 31 anos, é mãe de três alunas beneficiadas pelo “Mais Educação” – Ana Beatriz, de oito anos; Ana Clara, de sete; e Ana Alice, de seis – nas aulas de dança e de karatê. Para ela, o programa contribui para melhorar o aprendizado de suas filhas. “É ótimo e saudável porque elas se movimentam e praticam atividades físicas. As crianças gostam muito, e, notei, inclusive, uma melhora no relacionamento delas com as colegas de turma. Além disso,  tenho mais tempo para fazer outras coisas  enquanto elas ficam na escola”, declarou a mãe.