Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é lembrado em Maricá

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A Secretaria Municipal Adjunta de Saúde, através da Estratégia Saúde da Família (ESF) do bairro Mumbuca e do Núcleo de Apoio à Estratégia Saúde da Família (NASF), realizou nesta quinta-feira (19/05), encontro para lembrar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, comemorado no dia 18 de maio. Coordenador da ESF Mumbuca, o enfermeiro Sebastião Ferreira Alves Junior explicou que o objetivo maior da atividade foi o de orientar os moradores e também os funcionários da unidade, inclusive os agentes comunitários de saúde e desta forma disseminar conhecimentos, a fim de que as pessoas saibam agir diante dos sinais que as crianças e os adolescentes possam demonstrar.

Assistente social do NASF, Maria Dalva Marins Vieira reforça a importância de se comemorar a data. Ela relata que no dia 18 de maio de 1973, uma menina de oito anos de idade, no Espírito Santo, foi sequestrada, violentada e assassinada e que os agressores nunca foram punidos. Ainda segundo ela, com a repercussão do caso e com a forte mobilização do movimento de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. “Apenas em 2014 foram registradas 24.575 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Desses casos, 19.165 foram de abuso e 5.410 de exploração sexual infantil”, destacou a assistente social. 

Quem explica a diferença entre abuso e exploração é Rossineia Costa Mota, palestrante do evento e psicóloga supervisora na Rede de Atenção Psicossocial de Maricá (RAPS). Ela definiu abuso como tudo aquilo que aborrece, não tem o consentimento e que está ligado à sedução. Já na exploração existe um corpo não somente materializado, como também há um comércio envolvido. “Crianças que são levadas a agradar turistas. Geralmente é oferecida alguma coisa em troca e às vezes tem a permissão de um adulto”, exemplificou a psicóloga. Dentre os diversos ensinamentos transmitidos pela palestrante, está o de que o sexo é bom, mas precisa ter o momento certo, no lugar certo e com a pessoa certa. “Quando a criança sofre o abuso, o corpo dela não tem um desejo especificado. Chamamos de abuso sexual, porque ninguém está autorizado a mexer no corpo de uma criança, a não ser a mãe, o pai e o médico. Quantas crianças foram para abrigos e afastadas de casa, por causa de abuso que acontece na família? Quantos pedófilos existem porque foram abusados quando eram crianças?”. Ela fala sobre a importância dos valores da família. “Vamos refletir. Como educamos, que atenção eu dou às crianças e aos adolescentes. Precisamos repensar os valores de família. Ser mãe não é somente dar comida e banho. É também escutar. Quando eu fico num barzinho bebendo cerveja e deixo minha filha brincando, ela está absorvendo isso. Por mais que a criança e o adolescente sejam espertos, tanto meninas quanto meninos estão muito vulneráveis”. 

Rossineia complementa e diz que, no momento em que as crianças e os adolescentes são abusados, acontece uma tortura psicológica para silenciá-los com ameaças. “O abusador coloca medo na criança e outro fator que chama atenção é o adulto oferecer muitos presentes para as crianças. Segundo estatísticas, quem primeiro abusa é o familiar de primeiro grau: o avô, o pai, o tio, o primo e os irmãos. A ordem é essa. Quando o abusador é descoberto, ele fica foragido e deixa de abusar da criança da família e passa a abusar da criança de outra pessoa. Precisamos evitar o sofrimento que extrapola o corpo e que danifica a alma”, finalizou a psicóloga. 

A população aprovou a iniciativa. É o caso da aposentada Maria Aparecida Medeiros Mendes, de 84 anos. “Ficamos mais cientes do que a gente pode ou não fazer para ajudar. Gostei muito de ter vindo. Aprender faz bem”, disse a aposentada. Quem também participou foi a dona de casa Zilta Ferreira, 65 anos. Para ela, receber os conhecimentos oferecidos durante a palestra serviu para melhorar ainda mais a comunidade. “Se a gente perceber esses tipos de problemas falados aqui, a gente sabe como denunciar e ajudar”, completou. 

Qualquer suspeita de abuso ou de exploração sexual contra crianças e adolescentes deve ser comunicada pelo Disque 100 ou no Conselho Tutelar do município ou na unidade de saúde mais próxima de casa.