Educação e Utopia realiza mais um dia de jornada – atualizada

0
358

A Jornada Educação e Utopia, evento preparatório ao Festival Internacional da Utopia, que acontece em Maricá entre os dias 22 e 26 de junho, realizou nesta quinta-feira (09/06) mais uma edição, desta vez no Caic Elomir Silva, em São José do Imbassaí. O auditório da escola recebeu alunos, pais, professores e outros convidados, que foram ao evento assistir à palestra de duas jovens: a professora da rede estadual de ensino Carolina Dias, membro do movimento Levante Popular, e da professora Luana Carvalho, do setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O mediador foi o secretário adjunto da Juventude, Eric Vermelho. Presente à mesa, o secretário municipal adjunto de Educação, professor Daniel Neto.

O tema principal das duas palestras foi: "Educação e Movimentos Sociais". O escritor Manoel Lago abriu o evento, agradecendo à diretora da escola anfitriã, professora Glaucia Cartaxo, que, em breves palavras, resumiu o tema: "Acredito em uma educação transformadora, que ofereça condições ao jovem de construir o seu caminho na sociedade, com consciência, ética e responsabilidade", disse.

Carolina Dias, de 21 anos, a primeira palestrante, falou da importância da educação política na escola e na sociedade, para a formação de cidadãos críticos, não alienados. "O indivíduo consciente busca complementar seus estudos com a leitura complementar dos grandes escritores. Isso traz foco e conhecimento para interpretar de maneira adequada as questões sociais. A formação não é só acadêmica. Toda pessoa tem o poder de transformar a sociedade", afirmou. "Sou negra, jovem, filha de pais pobres e tive de me esforçar para chegar à universidade. Hoje, vemos mulheres, negros e índios participando mais dos movimentos sociais, mas ainda temos muito que caminhar. Existe muita discriminação e preconceito na sociedade. A hora é de mudança”, completou.

Movimentos Sociais

Luana Carvalho, educadora do MST, fez uma resenha histórica do movimento, explicando que o MST "se articula com a visão de uma educação adequada e transformadora, através das Escolas de Formação, que buscam informar politicamente o camponês dos seus direitos civis". "Não queremos apenas terra, mas também trabalho, e construção política do conhecimento”, disse Luana. “Precisamos valorizar mais quem produz alimento, quem limpa a escola, quem preserva e cuida do seu terreno, do seu bairro, e multiplica essa informação", acrescentou a palestrante, antes de concluir. "Não mais a educação rural paternalista, mas uma escola libertadora e cidadã, que valorize o trabalhador do campo, assim como o trabalhador da cidade e suas famílias".

O secretário adjunto de Educação, Daniel Neto, adiantou que brevemente o ensino municipal ganhará o reforço dos Centros de Educação Pública e Democrática (CEPDs), núcleos complementares de Educação, que oferecerão, em sua grade curricular formação política e social, com disciplinas como ética e cidadania, entre outras. "Fico feliz ouvindo jovens falarem sobre construção coletiva. O projeto dos CEPDs, que já está em licitação, é mais uma grande utopia do governo de Maricá. Estamos dando um passo à frente em prol da educação do nosso povo", finalizou.

As estudantes Ana Carla dos Santos, de 17 anos, e Gabriela Pereira, 14 anos, ambas do 9º ano da EM Vereador Carlos Levy Ribeiro, em São José do Imbassaí, declararam ter gostado muito das palestras. "A professora Carolina Dias fortaleceu nossa autoestima com sua palestra. Sou negra e tenho orgulho de minha raça", adiantou Ana Carla. "Gostei da proposta da educação libertadora. O agricultor e sua família devem ser recompensados com dignidade. Afinal, é ele quem produz alimentos para nossa sobrevivência", disse Gabriela.

A secretária da EM Carlos Levy, Tayná de Souza, de 21 anos, considerou importante a proposta dos jovens de transformação da sociedade. "Falsos valores muitas vezes são repassados para os jovens e os acompanham vida afora. É preciso mudar esse tipo de educação, a começar pela família. Assim como a escola, cada instituição tem seu papel e responsabilidade social", finalizou.