Imagem do curso de capacitação dos motorista da EPT para atendimento a pessoas com deficiência
Mecânico da EPT orienta motoristas a como utilizar elevador para deficientes - Foto: Michel Monteiro

Em parceria com o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (Comdef), representantes da Empresa Pública de Transporte (EPT) realizaram nesta sexta-feira, 27/01, na sede da empresa, no Caxito, um curso de capacitação dos motoristas para humanizar o atendimento oferecido ao usuário com deficiência. O secretário Ayrton Becalle, o ex-presidente, Rene Lazário, e a psicóloga Monica Baptista, todos representando o conselho, contaram suas experiências e falaram sobre artigos, normas e regras, tendo como base o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Entre as dúvidas mais frequentes: a entrada do cão guia no transporte e a necessidade do uso do elevador.

“Vocês não devem se constranger em oferecer ajuda. Mas vai acontecer de o deficiente não aceitar, porque é ignorante ou porque não precisa mesmo. Apesar do estresse grande e da pressão no trabalho, não se irritem, tenham sensibilidade e respeito pelo outro, porque cada pessoa é uma pessoa”, pediu Becalle, completando que o uso do elevador não é exclusividade de cadeirantes: “Há pessoas que só usam uma bengalinha, como um amigo meu, mas ele não dobra os joelhos e precisa subir no elevador”, relatou.

Monica apelou para os cuidados no manuseio da cadeira de rodas: “Não façam movimentos bruscos, deixem o cadeirante dizer como é melhor para ele ser transportado. E nunca, em hipótese alguma, tombem a cadeira para frente. Dá a sensação horrorosa de que a gente vai de cara no chão”, recomendou. Deficiente visual, Rene também alertou para que os motoristas não saiam puxando os passageiros pelas mãos. “O certo é dar o braço para que eles possam se segurar”, acrescentou.

Com a bengala em mãos e os olhos vendados, o motorista Paulo Henrique Valério, 32 anos, disse ter vivido uma sensação de angústia muito grande. “É brabo, desesperador. A minha primeira reação foi tentar tirar a venda e abrir os olhos. Mas a partir dessa experiência você tem um aprendizado de crescimento não só como funcionário de uma empresa, mas como pessoa, por você se colocar no lugar do outro”, explicou. O colega Francisco Sales, 41 anos, experimentou pegar o ônibus como cadeirante e percebeu a necessidade de dar atenção ao deficiente na hora de manusear o elevador. “É uma forma de passar segurança para eles. Quando me jogaram para frente, eu não tive muito problema, porque tenho firmeza nas pernas, podia fazer força para baixo. Mas eles não têm, dependem da ajuda do motorista”, disse.

Um dos idealizadores do projeto, o mecânico Paulo César Marçal, 44 anos, sugeriu a realização do curso por perceber a dificuldade dos motoristas, aprovados no último concurso, onde a exigência era apenas a habilitação D. “A maioria deles nunca trabalhou como motorista de ônibus. Com o curso, vão aprender não apenas na teoria, mas vão ter também a possibilidade de sentir o que enfrentam no dia a dia”, disse.

Coordenador Operacional da EPT, Igor Corrêa agradeceu a participação dos 28 motoristas presentes e anunciou que os demais motoristas vão participar de outra capacitação ainda esta semana. “Queremos que todos estejam inclusos no projeto Vermelhinho. Colocar um cadeirante é mais demorado, mas nós vamos transportar todos, porque nossa preocupação não é com dinheiro e sim com o ser humano. A gente não carrega números, mas pessoas. Esse treinamento foi muito significativo, mas agora tem que ser feito no dia a dia para ter serenidade, segurança e maestria no serviço”, concluiu.

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