Representantes da Prefeitura e líderes de igrejas de diferentes matrizes religiosas da cidade se reuniram na manhã desta quarta-feira (18/03) na quadra do Centro de Artes e Esportes Unificado (CEU), na Mumbuca. O objetivo do encontro foi o de repassar e alinhar recomendações principalmente sanitárias em função de os templos, não importando a matriz, serem todos locais de grande aglomeração de pessoas.

Presente à reunião, o prefeito de Maricá, Fabiano Horta, descreveu as principais recomendações no momento. “A atitude mais eficaz hoje é o isolamento social. É o momento da fé se expressar de maneira racional. Conto com a colaboração dos líderes para que nos próximos 15 dias adotemos medidas radicais, e é assim que a gente vai proteger nosso cidadão”, disse, em alusão à suspensão de qualquer tipo de encontro religioso.

“É um grande desafio, mas passaremos por isso juntos. Peço, em nome da cidade, para a gente não se desesperar e manter a calma. É o nosso papel, além de consolar e confortar o próximo, combater a rede de notícias falsas que circulam pela internet. Juntos vamos passar pelo problema e restabelecer a normalidade na nossa cidade”, avaliou o prefeito.

Ainda de acordo com o prefeito, a cidade será afetada economicamente por conta do isolamento que está sendo proposto, mas a Prefeitura já estuda a criação de uma rede de solidariedade para que o comércio se reerga. “O problema vai passar e já estamos estudando a criação de uma rede de solidariedade para que o comércio se reerga nesse momento tão delicado. A prefeitura fará o adiantamento do abono natalino do Mumbuca, são quase 43 mil maricaenses que vão receber o benefício”, completou.

Infectologista da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Azevedo comentou sobre medidas de segurança para estes locais. “Sabemos que existem pessoas que vão a igrejas, aos cultos e eventos religiosos. Estamos recomendando exatamente evitar essas aglomerações, porque isso facilita diretamente a propagação do vírus. Estamos buscando evitar picos de incidência. O ideal é que as pessoas fiquem em casa, principalmente os que estiverem doentes e os indivíduos do grupo de risco”, explicou.

Líderes da matriz evangélica comentaram sobre uma nova forma da realização do culto, por meio da internet, através das redes sociais oficiais das igrejas. Nesse caso, os fiéis poderão acompanhar a sessão religiosa de casa. A igreja católica suspendeu a maioria das suas atividades, e os templos de umbanda e candomblé ainda estudam uma alternativa para continuar atendendo os membros, de maneira que não haja aglomeração nesses locais.

“É muito importante andar junto com o governo, precisamos fazer isso – a religião junto com a política visando o bem comum. É oportuno esse pronunciamento sobre as paralisações para a gente não coloque em risco o nosso povo”, disse o pastor Carlos Eduardo de Farias, líder das igrejas congregacionais da região do Centro de Maricá.

O babalorixá pai Liminha de Jagun também falou sobre a reunião. “Nós, do culto afrobrasileiro, não praticamos via internet, via redes sociais. Os cultos afrobrasileiros, por tradição, são físicos e por isso normalmente têm a cantoria, tem a palma, o comprimento da mão, a benção, a troca de roupa. Então considero de suma importância que se aponte a necessidade de os cultos da matriz afro não se realizarem nessa fase tão delicada”, disse.

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