A agência de notícias Associated Press, uma das maiores do mundo, publicou nesta sexta-feira (21/05) uma detalhada reportagem sobre o trabalho dos médicos e enfermeiros brasileiros no combate à Covid-19. O local escolhido pela agência para ilustrar o exemplo brasileiro foi o Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em Maricá.

Com o título “Profissionais de Saúde no Brasil correm contra o relógio”, a reportagem mostra a rotina dos profissionais na unidade, destacando o esforço e a dedicação das equipes e as instalações da unidade.

Durante a gravação, os repórteres da AP utilizaram todo o equipamento de segurança necessário e ainda puderam gravar a alta de um personagem, o que reforçou a imagem do Che Guevara como um lugar onde vidas efetivamente são salvas. O texto, produzido em inglês para a distribuição internacional, foi entregue a clientes da AP em 90 países.

Confira a íntegra da reportagem, traduzida, abaixo:

Profissionais de Saúde trabalham contra o relógio tentando salvar pacientes infectados com o novo coronavírus enquanto o Brasil bate um novo recorde – registrando 1.188 mortes em um só dia, nesta quinta-feira.

Danielle da Silva é uma enfermeira intensivista com 14 anos de experiência. A profissional  de 40 anos que atua em duas unidades de saúde diferentes, disse que a situação é difícil e que ela jamais viu algo como a pandemia do novo coronavírus. Mas a parte mais difícil para da Silva e outros profissionais não é o risco de estar na linha de frente, mas a falta de contato com a família e as pessoas a quem ama.

“Todos nós que trabalhamos na área de Saúde não podemos abraçar, não podemos ver as pessoas que gostamos, não podemos ter contato físico com eles. Essa pandemia também veio para nos mostrar como a nossa vida é tão ocupada que às vezes perdemos a noção da importância de estar em contato, de ter mais contato com o ser humano, ter afeto”. Ela disse à Associated Press.

Da Silva trabalha no Hospital Dr. Ernesto Che Guevara, hospital em Maricá, cidade localizada a mais ou menos uma hora do Rio de Janeiro.

A construção da unidade havia sido paralisada no ano passado, mas quando a Covid-19 eclodiu e atingiu o país, a Prefeitura reativou a obra e o hospital foi aberto no dia 1 de maio exclusivamente para tratamento de pacientes com Covid-19 provenientes das três outras unidades de Saúde da região, mas não incluindo o Rio.

Mais de 500 profissionais trabalham no hospital que tem 75 leitos, 20 deles de UTI. Mais de 80% dos leitos estavam em uso nas primeiras semanas e as autoridades esperam abrir mais 58.

“Se a dinâmica do trabalho não é muito bem organizada, o sistema começa a colapsar”, afirma Ulisses de Oliveira Melo, coordenador da UTI.

Ele disse que é importante ter o equipamento apropriado, os respiradores, mas acrescentou que sem os profissionais de Saúde não haveria sucesso.

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